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A
cana-de-açúcar é uma cultura
com bastante tradição em controle
biológico. Há vários anos,
os principais problemas de pragas têm sido
solucionados com alternativas biológicas
com ênfase à cigarrinha da folha (Mahanarva
posticata), no nordeste do país e à broca-da-cana
(Diatraea saccharalis) no sudeste do Brasil. Mesmo
para problemas de pragas de solo, já existem
tais alternativas, podendo citar feromônio
para Migdolus fryanus, iscas contendo entomopatógenos
para Sphenophorus levis e até fungos para
cupins subterrâneos.
Estes avanços foram conseguidos graças
ao pioneirismo de alguns entomologistas, que com
unia visão diferente do que se utilizava
na época, ou seja, exclusivamente agroquímicos,
vislumbraram a perspectiva de utilização
de medidas biológicas. Foram eles, o Dr.
Domingos Gallo, da ESALQ/USP, que estudou o controle
biológico de D. saccharalis desde a década
de 40 do século passado e o Dr. Pietro Guagliumi,
entomologista italiano que no nordeste do país,
na década 60-70, mostrou a possibilidade
de utilização de entomopatógenos,
especialmente Metarhizium anisopliae, para controlar
a cigarrinha-da-folha. Estes mestres deixaram discípulos
que mantêm esta tradição de
controle biológico na cultura. O Dr. Artur
Mendonça é um deles.
Nos últimos anos, ocorreram avanços
no melhoramento genético de variedades de
cana-de-açúcar e grande expansão
de áreas de cultivo. Surgiram as restrições
ambientais e com elas, a proibição
de queima de cana em muitas áreas do sudeste
do país. A adoção da "cana
crua" criou um microclima favorável à cigarrinha-da-raíz
Mahanarva fimbriolata, que não se constituía
praga e que passou a provocar perdas consideráveis à cana-de-açúcar.
Aumentou-se a utilização de M. anisopliae
para controlá-la, com a ampliação
do número de empresas especializadas
comercializando esse produto.
Assim, este livro reúne informações
atualizadas e resultados de longos anos de pesquisas
com cigarrinhas da cana-de-açúcar,
relacionando-os com a fisiologia da planta, espécies
mais importantes na América Latina e Caribe,
prejuízos causados, potenciais parasitóides,
predadores e entornopatógenos e casos históricos
de sucesso, com ênfase à utilização
de M. anisopliae, visando ao controle
das cigarrinhas.
Portanto, trata-se de um livro
atual, tendo à frente
seguidores dos antigos mestres e que mantêm
a tradição do controle biológico
na cultura da cana-de-açúcar.
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